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Um Sentido Interpretativo; Ocidente para Oriente

Ao que se refere acerca da Restauração Meiji e seus desdobramentos étnicos e culturais podemos de certa forma atribuir que algumas centenas, de páginas já se debruçaram sobre a questão algumas vezes de forma copiosa, pouco densa é verdade. Destarte este “vácuo” tem sido deveras perceptivo, sobretudo, no que tangue a produção brasileira. Tendo em vista que América do Norte, assim como a Europa, seguem uma linha de pesquisa oriental muito mais pontual e produtiva que a do Brasil. Embora aqui residam segundo o banco de dados do Wikipédia (2009) cerca de 1,5 milhões, de descentes de imigrantes japoneses, posicionando o Brasil como a maior colônia de japoneses fora do Japão.

Mesmo assim, apresentamos certa defasagem literária nacional acerca do orientalismo. Devemos apontar algumas ponderações acerca das dificuldades e imediatismos históricos decorrentes da abordagem acadêmica ao Japão. Contudo se pensarmos a nível “macro” vários conceitos dos quais são trabalhados, tanto em nosso texto quanto em demais obras no sentido de “enquadrar” o Extremo Oriente têm orbitado a margem das produções científicas de maior repercussão no universo acadêmico. Portanto carentes de um método que comporte maior acuidade histórica, ou seja, sem uma problematização adequada a questão oriental e suas idiossincrasias. Esses imediatismos históricos não representam riqueza de conteúdo suficiente para que possam resolver nossas problematizações.

Segundo Said (2007) é justamente da falta de cuidados no trato com o Oriente, ou ainda a imagem reducionista e caricata na qual somos induzidos que embasam muitas das aferições que porventura, lançamos ao mundo oriental. Contudo, são em historiadores de produção “catálografica” como Hobsbawm, que iremos buscar a contextualização basilar ao desenvolvimento de nossa análise. Encontramos também na História das Colonizações de Marc Ferro, uma projeção diferenciada de como foram às expansões ultramarinas do Japão Imperialistas. Assim como, através de Benedict Anderson, se encontram as premissas de um Nacionalismo Oficial, ocorrido no Japão Meiji.

Ainda falta-nos contemplar um tópico deveras pertinente acerca do o “sentido” interpretativo lançado ao Extremo Oriente. Não seria esse um olhar ocidental? Tendo em vista, que entre muitos outros fatores nossa própria localização geográfica, nos situe consideravelmente afastados do Oriente. A essas indagações metodológicas, sem que sejamos evasivos podemos considerar que a maioria, se não totalidade de vertentes teóricas das quais nos deparamos “conduzem-nos” a lançar um olhar teórico em função Ocidente-Oriente. Mesmo porque, as dificuldades de assimilação da própria língua japonesa, e inclusive do pensamento oriental são a princípio, um obstáculo de difícil transposição.

Contudo se nos apropriarmos do raciocínio de Edward Said (2007), quando afirma que não precisamos ser orientais, para escrever sobre o Oriente, tão pouco precisamos estar presencialmente lá para “desvendá-lo”. A abordagem histórica pode ser feita sem problemas, por pesquisadores distanciados temporal e espacialmente de seu objeto de estudo. Desde que, sejam tomadas as devidas precauções quanto à língua, cultura, e arquétipos incutidos através do senso comum ocidental mediante o qual, se interpõem ao cientificismo ou mesmo o desvirtuam, a fim de, reproduzir o Oriente enquanto uma espécie de “espelho convexo” do ocidente. Em outras palavras seria o mesmo que dizer que o Oriente é uma sociedade sempre refletora, porém de forma descompassada de um padrão moderno e ocidental.

No entanto, apesar de toda complexidade dessa abordagem oriental, procuramos pautar nossa análise, sob uma perspectiva mais acessível, de modo a nos mantermos em uma posição comparativista. Assumindo o pressuposto de que o Japão mimetiza padrões ocidentais, não podemos jamais, cair na armadilha de subvencionar qualquer superioridade a entre Ocidente – Oriente.

O contexto social do Oriente opera sob uma dinâmica diferenciada do ocidental. Destarte seria muita inocência, ou presunção atribuirmos que este (mimetismo) ocorre sem nenhuma adaptação posterior onde quer que “crie raízes”Mesmo a adoção maciça de elementos culturais estrangeiros por uma nação inteira nunca abole por completo o caráter nacional.” (BAUER, 2000 p.61)

Conceito de Nacionalismo

Cabe abrir um momento de reflexão em torno do Nacionalismo, do qual exploramos. O termo “Nacionalismo” é deveras abrangente já tendo sido teorizado por diversos autores, mesmo assim continua sendo revivido devido sua enorme abrangência e complexidade.

Otto Bauer que por sua vez parafraseia Bahegot diz o seguinte “Bagehot diz que a nação é um daqueles muitos fenômenos que compreendemos desde que não nos façam perguntas sobre ele, mas que não sabemos explicar em termos breves e sucintos” (BAUER, 2000 p. 45)

Portanto nos pautaremos basicamente na premissa de um fenômeno Nacionalista relativamente novo, que começa dar os primeiros passos por volta do século XVIII mediante um processo imaginativo comunitário, termo explorado por Benedict Anderson. Portanto a época determinante a estruturação deste movimento, teria sido justamente o século XIX. Entre outras razões por assinalar este momento, uma época de maturação e cristalização maior do Nacionalismo.

Compete então esclarecermos algumas questões em aberto, principalmente quanto à origem do exercício imaginativo que consideramos antecessor ao Nacionalismo contemporâneo. Para isso devemos estar cientes de que, como um fenômeno social, o Nacionalismo jamais foi em momento algum homogêneo, sobretudo, nas formas pelas quais os diversos Estados o manobraram, atendendo as necessidades particulares de cada ocasião, desde onde o Nacionalismo é primeiramente imaginado comunitariamente (Europa), ou onde esse Nacionalismo é importado (Japão).

No caso das Comunidades Imaginadas, o que aflora na mentalidade dos habitantes do Velho Mundo a partir do século XVIII, a principio é um, certo sentimento de coletividade, de irmandade e reciprocidade social. Ainda assim, continua sendo um vínculo virtual à bem da verdade. Pois em partes esta “irmandade” provinha justamente de uma idealização nacional oriunda, da enxurrada de material livresco, popularizado cada vez mais, entre as camadas mais abastadas da sociedade européia, que Benedict Anderson trata, por Revolução Lexicografia. (ANDERSON, 1989)

Sem sombra de dúvidas, o arsenal literário que inundou a Europa do século XVIII, sacudiu a imagem que os europeus construíam de si próprios. Onde antes se fixava a coluna estática do cristianismo e consequentemente do latim como língua padrão, agora pairava todo um universo de particularidades a serem “redescobertas”.

Aberto o campo da imaginação, a concretude territorial coletiva pareceu mais possível de se realizar, muito embora, empregar o conceito de Nacionalismo, a essa altura da história europeia acarretaria com certeza em um neologismo de nossa parte.

Pode-se perceber bem melhor por que essa transformação seria tão importante para o nascimento da comunidade imaginada da         nação se considerarmos a estrutura básica de duas formas de imaginar que pela primeira vez floresceram na Europa, no século XVIII: o romance e o jornal. Pois essas formas ofereceram os recursos técnicos para “re-[a]presentar” a espécie de comunidade imaginada que é a nação.   (ANDERSON,1989 p .34)

Muito embora, a elite leitora e assimiladora dessa construção imaginativa, quanto à unidade social, pudesse enfim por em prática o que anos de suspiros e anseios de emancipação contidos haviam encruado, era preciso romper com as velhas bases de  governabilidade, e ordenação social (feudalismo) “O Estado Nacional completa a tarefa, derrubando toas as barreiras que fragmentavam a atividade econômica e política, e eliminando as velhas lealdades feudais, que dificultavam a realização da unidade nacional”  (LEVI, 2004)

Com a conscientização da burguesia quanto à necessidade, de ruptura com a monarquia absolutista (Revolução Francesa), que nosso conceito de Nacionalismo encontra “terreno” para ser aplicado. Somente após esse contexto histórico, que o projeto de “Nacionalização” esteve culturalmente “maduro” o suficiente para então, junto com o modelo de Revolução a partir do século XIX tornar a França burguesa, e conseguintemente “Centro Irradiador” (de modelos) Revolucionários.

Destarte, mais que um projeto de coesão Nacional, pautado na política e economia, o Nacionalismo desdobrou-se, sobretudo, dentro de uma burguesia articulada, que manobra o poder da “vontade Nacional” em suas mãos. “Essas unidades que ligam a soberania à cultura são conhecidas como Estados Nacionais. Durante os dois séculos que se seguiram à Revolução Francesa, o Estado nacional tornou-se a norma política” (GELLNER, 2000 p.107)

Imperialismo Nipônico

Imperialismo é o sistema (“princípio ou espírito”) e posse de um império – o domínio de um país sobre os outros. Os impérios surgiram da mesma forma que os estados – um mais forte que o outro. Dado esse extenso pedigree e a vinculação de império à conquista militar e iniciativa diplomática, a status, poder e riqueza, “império” e “imperialismo” foram (eram outrora) palavras orgulhosas. (LANDES, 1998 p. 474/475)

Exposta, uma breve consideração a cerca do Imperialismo pelo historiador Norte Americano David S. Landes. Resta-nos a partir deste momento, aprofundarmo-nos um pouco mais neste assunto, que assim como o Nacionalismo, permitiram identificar com maior clareza os desdobramentos destas políticas no tocante ao xenofobismo étnico do Japão Meiji.

Embora, de todas as nuances das quais possamos atrelar, o ato de invasão e expropriação militar, de um território por outro Estado beligerante.  Teria sido, sobretudo, durante o século XIX que as estruturas de sustentação da máquina de guerra estatal encontravam-se “afinadas” de modo a cooptar em consonância com uma elite cada vez mais acumuladora de capital[1], e ávida por novos mercados consumidores. De acordo com Anderson (2000) que por sua vez parafraseia John Breuilly, no tocante a confluência entre iniciativa privada e Estado, que busca respaldar este raciocínio, dando ênfase ao viés patriótico de modo que, os interesses econômicos do empresariado  representassem de certa forma os interesses geopolíticos contrastantes do século XIX. Em outras palavras seria o mesmo que dizer, que durante houve uma convergência entre Estado e Iniciativa Privada, espraiando-se no campo social.

Muito embora, para o observador que analisa o desenrolar de toda uma era que o historiador inglês Eric J. Hobsbawm denominou por “A Era dos Impérios 1875-1914”mo sendo a ERouc era de ços dquiria  movimneot 4545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545454545. Parece óbvia a conexão entre ambos os sistemas que imperavam na época, Capitalismo e Imperialismo, mas o método ao se fazer história que Edward Carr (1978) nos subvenciona a ir além da superficialidade dos fatos históricos.

Mediante este olhar crítico, identificaremos no século XIX a maturação não apenas do Nacionalismo, mas sim de uma “simbiose” entre este conceito, e uma nova forma de expansão militar (Imperialismo), que passou a operar muito mais por um viés político e econômico, do que tão somente estratégico e militar.

Trabalhando estes conceitos podemos sintetizar então, que este “fenômeno”, chamado Imperialismo teria sido encadeado entre outros fatores, pela necessidade de crescimento econômico e a busca por mercados consumidores, de produtos manufaturados, e logo em seguida industriais, produzidos nas grandes metrópoles mundiais. Através de uma abordagem Lewinista o Imperialismo seria de modo resumido, a busca desenfreada por mercados consumidores que regulava as expansões ultramarinas dos Estados Nacionais. A partir de então cada vez mais o Estado desempenha papel crucial na vida, e na política tanto interna quanto externa dos Impérios. (HOBSBAWM, 1988)

Contudo a fim de, obtermos uma visão mais ampla da dimensão que o imperialismo, atingiu dentro do panorama social do século XIX, contemplaremos também uma visão marxista, que comporte uma breve argumentação acerca do Imperialismo. Mediante este sistema (imperialista) adquire uma conotação político/ideológica deveras acentuada. Onde em suma podemos defini-lo como uma evolução do liberal capitalismo sob uma nova diretriz. Admitindo que o mundo e suas riquezas deveriam pertencer ao Estado mais apto sociocultural ou militarmente, podemos identificar este conceito nas políticas de eugenia desde o século XIX, ou ainda na “limpeza” racial promovido tanto pela política nazi-fascista, quanto pelo Japão Imperial. Seria então (auto) outorgada a Nação superior e legitimada (advento do nacionalismo) que teria então o direito de anexar outras nações menores, de tantas formas das quais pudesse dispor.

Basta-nos atentar que o peculiar deste fenômeno Imperialista contemporâneo, além de comportar um viés puramente econômico, acomoda uma extensão das rivalidades e competições ideológicas dos diversos Impérios que se lançavam as conquistas ultramarinas no século XIX. O resultado desta “competição” se materializa através de uma “bulimia territorial” onde cada pedaço de terra expropriado representará supremacia racial, em detrimento a outro Estado qualquer. Se procurarmos entender por este prisma as prerrogativas culturais nipônicas dentro dessa lógica imperialista, podemos atribuir algo como a seguinte afirmação de Marc Ferro (1996 p. 129)

Levando em conta a natureza do Japão, trata-se de assimilar as populações, de japonizá-las, o que é possível considerando suas raízes próximas, e é justo em virtude dos princípios de Confúcio que exigem que reine a igualdade sob a mesma dominação – no caso a do imperador.

Sendo assim, é justamente nessa esfera de disputas imperialistas e raciais, que o nacionalismo opera a “simbiose” da qual nos referíamos, de modo que figurou como fator de coesão, bem como vetor de uma torrente xenofóbica deveras recorrente. Logicamente o capital continuava sendo o fio condutor do imperialismo, porém é o caráter patriótico que figurou como detonador, das anexações imperialistas da época.

Dessa forma teremos as conquistas ultramarinas britânicas na África (muito embora essas conquistas tenham se operado mais na forma colonial, do que meramente imperial), ou ainda a dos Franceses na Indochina. “(…) mesmo os homens de negócio limitado á procura de lucros (…)”. “Não ficavam imunes aos apelos políticos, emocionais, ideológicos, patrióticos ou mesmo raciais associado tão patente a expansão imperial.” (HOBSBAWM, 1977 p. 95)

A razão econômica de agressividade característica da política imperialista levada a efeito por Estados como Alemanha, Itália e o Japão, onde o problema das dimensões territoriais, demasiado limitadas peara as exigências do desenvolvimento econômico, se tornava particularmente grave, devido também ao atraso com que haviam chegado a participar na expansão imperialista formal e informal. (PISTONE, 2004 p.618)

No entanto, não podemos conceber o Imperialismo, como expressão máxima do capitalismo e a subsequente expansão ultramarina, sem articularmos o Nacionalismo como plano de fundo, trazendo consigo todo arsenal ideológico e cultural, por vezes muito mais tenaz, do que apenas o que lucro capital em si próprio comportaria.

A Derrocada do Bakufu Tokugawa

Uma vez abordado o panorama político ocidental em vigência no predecessor à Restauração Meiji (1867). Parece-nos lúcido contemplar este mesmo contexto desta vez sobre a perspectiva nipônica. Contudo é relevante determo-nos nos anos que anteriores a Restauração a fim de que, possamos melhor compreender o peso não apenas da nova diretriz política do Estado Meiji, mas sim suas frustrações e receios, que o farão tomar duras medidas raciais, de abrangência interna e externa.

No ano de 1852, o estadunidense Matthew Calbraith Perry (1794-1858), recebe a incumbência do Congresso Norte Americano, de capitanear uma esquadra aos longínquos mares orientais donde o Japão mantinha-se resoluto em vetar a navegação estrangeira. Sua missão era clara e objetiva. Restringia-se em entregar uma missiva redigida pelo então chefe de estado americano Millard Fillmore (1800-1874), ao Imperador do Japão.  (RUAS, 2008)

O conteúdo desta carta transmitia recomendações para que o Japão abrisse seus portos de forma “amigável” aos baleeiros americanos. Permitindo assim, que esses reabastecessem e efetuassem possíveis reparos em seu território com salvaguarda total e irrestrita do governo, por parte do governo japonês. Obviamente que além destas prerrogativas os americanos também objetivavam uma concessão imperial à extração madeireira em território nipônico, uma vez que, os vapores americanos dos quais o próprio Perry aportou no Japão eram movidos a base de carvão vegetal.

Em contrapartida o governo estadunidense garantiria a integridade e soberania nipônica caso o mesmo resolvesse colaborar. Muito embora a carta não tenha feito menção a nenhuma ofensiva militar instantânea, a própria esquadra com a qual Perry tinha rumado ao Japão já assegurava um poder de persuasão subjetivamente imenso. Basta mencionar que os nipões passaram a chamar os navios americanos de esquadra negra, devido aos cascos negros de suas canhoneiras movidas a vapor. (RUAS, 2008)

Diante da sensível superioridade naval americana o Xógunato resolve ceder, após ter protelado o máximo que pode. Ao que tudo indica, o Japão parece ter sido vítima de seu próprio veneno. Não fosse à ordem Xógunal dada por Iemitsu Tokugawa (1636) que  embargava a construção de toda, e qualquer embarcação que pudessem cobrir longas viagens marítimas, assim como o comércio com a maioria do mundo ocidental. Tendo em vista tal decisão a marinha do Japão encontrava-se no início do século XVIII obsoleta e incapacitada de se defender militarmente ante qualquer ofensiva estrangeira.

O sistema do bakufu[2] vinha passando por uma série de complicações de ordem política e social, assim como por catástrofes naturais, endividamento, entre outros agravantes. Portanto a investida dos americanos, nada mais se configurou do que um golpe de misericórdia ao regime bakufu Tokugawa.

Iesada Tokugawa, o Xógum que assinou o Tratado de Paz e Amizade, com as nações ocidentais conhecido por “Tratado de Kanagawa”, em 31 de março de 1854. Sofre duras críticas internas por conta, desta concessão, sendo visto como um homem apático e de espírito fraco. A crise política só se agravaria com sua morte (1857) e posteriormente em torno da sucessão Xógunal.

O fato é que Iesada morre sem deixar herdeiros diretos. O conselho do clã Tokugawa se reúne e decide proclamar como Xógum Iemochi Tokugawa, um adolescente de apenas 12 de idade. Contudo, os daimyô das províncias mais afastadas da capital imperial (Kyoto) reclamam à sucessão em nome de Yoshinobu, oriundo de um ramo lateral do clã Tokugawa.  (COGGIOLA, 2008)

Estes daimyô insurgentes integram uma liga secreta chamada Sat-Chô-To-Hi[3], ante a pressão que fazem acabam levando ao poder Yoshinobu, porém com a intenção de manterem a política de isolamento do país. Contudo, o novo Xógum se mostrou mais propenso à modernização do Japão do que sua retração. Yoshinobu também visava fortalecer ainda mais o poder de seu Xógunato minando a influência dos daimyô, principalmente daqueles que o colocaram no poder. (FRÉDERIC, 2008)

Pressionado por sua própria base de sustentação, ou seja, os daimyô e desta fez endossado inclusive pelo próprio imperador Mutsuhito (Meiji). Yoshinobu acaba renunciando. Embora, tenha tentado uma manobra arriscada na qual intentou preservar as enormes províncias de seu clã (Tokugawa). Seu plano não dá certo, e no dia 15 de dezembro de 1867, é solapado do poder junto com o cargo que ocupava (Xógum), por um pequeno efetivo militar encabeçado pelos daimyô da liga decretando então o fim do regime (Tokugawa) de aproximadamente 264 anos.

Meiji Isshin, A Restauração

De acordo com Sette (1991) Isshin de forma sucinta significa renovação, ou transformação. Tradicionalmente no Japão cada Imperador escolhe uma denominação a fim de, aferir ao seu reinado, algo que queira transmitir aos seus súditos. Prática não muito distante daquela que faziam os reis europeus. No caso japonês além de Isshin o imperador escolhe mudar seu nome de Mutsuhito para Meiji, dando início a uma nova era de renovação nipônica.

Embora os próprios interesses dos daimyô tenham mudado ao avançar da Restauração, confluindo em uma espécie de sintonia rumo a um Estado político moderno, enxuto, e prospecto. Logicamente esta dinamização do poder político sofreu oposição principalmente dos samurais mais recalcitrantes. Dando origem a movimentos rebeldes chamados de “legalistas“, que operando na clandestinidade incumbiam samurais de assassinar pessoas influentes do governo entre liberalistas e estrangeiros.  (COGGIOLA, 2008)

Deflagrada a Restauração Meiji, toma a cena política nipônica, a busca por um “ponto equilíbrio” do sistema governamental nipônico que embora monárquico, fosse dinâmico o suficiente para suportar novos cargos, político, administrativos, assim como a regulamentação das terras, impostos, bancos e demais instituições que porventura necessitassem de intermediação governamental. Junto e essas preocupações ainda pairava a necessidade de legitimação do governo nipônico ante as nações ocidentais, a fim de, que respaldassem a orientação política vigente no Japão.

Assim sendo, sob égide do Estado Meiji o poder político passa a influir cada vez mais no cotidiano popular. No plano político-racial podemos sublinhar algumas medidas de natureza dúbia como a padronização da escrita em Katakaná (1890), em detrimento da escrita chinesa empregada na vinculação de documentos oficiais desde o século VI.

Esta “emancipação” lingüística vem ao encontro da nacionalização da cultura nipônica, uma vez que, a Era Meiji é considerada como época da modernização e ocidentalização, temos na prática efeitos ambivalentes, como a abertura econômica e até certo ponto cultural, e a introspecção de outros elementos da cultura nativa japonesa.

A política de educação também tencionou-se à um certo “nipponcentrismo”, ao passo que reproduzia a teogonia nipônica, mediante cartilhas didáticas pregando  a superioridade do povo nipônico por ser descendente de uma linhagem imaculada dos   deuses xintó. (BENEDICT, 2007)

Todavia, a amplitude do nacionalismo nipônico assente em um xenofobismo exacerbado, mantido tanto fora quanto dentro do próprio Japão, basta observar as políticas de segregação racial admitidas contra os Ainus[4] que foram “confinados” em Hokkaido (Extremo norte do Japão) e impedidos de casarem-se com japoneses. Embora estes indivíduos tenham durante boa parte da história nipônica trocado hostilidades com os nipões durante o Estado Moderno[5] as animosidades se acentuaram.  Escrevendo em 1966, portanto cerca de duas décadas após o final da Segunda Guerra Mundial, J. E. Kidder contabilizou aproximadamente 15.000 Ainus que desde as políticas Meiji sofreram uma redução considerável em seu contingente populacional. (KIDDER, 1970)

Discorrendo acerca do posicionamento nipônico durante a guerra Ferro, reserva estas palavras:

Um imenso relatório japonês, de 1942-3, intitulado “Projeto de uma política global da qual a raça yamato seria o núcleo” (…) trata-se de alguma coisa mais ampla, minzoku, ou seja, uma cultura encarnada por um povo, sendo que o Japão se situa no topo dessa escala cultural (…) os casamentos mistos de ser reduzidos ao mínimo, “não porque os mestiços sejam em geral inferiores, mas porque esses casamentos mistos destruiriam a solidariedade psíquica da raça Yamato” (…) “Oito endereços para um só vento” define bem a concepção japonesa de colonização dos outros: a esfera de co-prosperidade é identificada com uma grande família que seria dirigida pelo irmão mais velho – no Japão, essa hierarquia familiar dos direitos e poderes é um dos fundamentos mais rígidos das relações sociais. [...] (FERRO, 1996 p.129)

Com base nestes dados podemos considerar que os japoneses em menor intensidade teriam sido envoltos, pela sedução da supremacia racial, resquícios do darwinismo social, que eclodiam em boa parte do mundo ocidental. Contudo, mediante a atmosfera nacional imperialista apregoada pelo governo Meiji, o observador nipão, é doutrinado a acreditar na superioridade étnica de povo, consagrando sua cultura em detrimento ao mundo ocidental, ou mesmo oriental.

Benedict Anderson, considera o fato de o Japão ter passado cerca de 220 anos isolado do resto do mundo, como fulcral a homogeneidade fenotípica do japonês. Deste modo o Japão pôde se concentrar em “imperializar biologicamente” outros lugares inclusive mandando levas de imigrantes para o resto do globo.

O fato de esse nacionalismo ter adquirido um caráter imperialista agressivo, mesmo fora dos círculos dirigentes, pode ser mais bem explicado por dois fatores: a herança do prolongado isolamento do Japão e o poder do modelo nacional oficial. (ANDERSON, 1989 p 109)

1

1.3

1.4

1.1-

Considerações

No entanto resta-nos ter em mente, que em nosso objeto de estudos, nos aproximaremos mais de autores como Benedict Anderson (1989), que atrela a Nacionalidade, inclusive a nipônica ao fator “língua”, e ao fator “identificação coletiva” que o autor trata por “imaginação”. Surge daí o conceito que Anderson denomina de comunidade imaginada, e seus desdobramentos no plano prático se dividem entre Oficial (governo) e Não-Oficial (sociedade), como não é nossa intenção retomar a raiz de conceitos já tipificados, nos prenderemos ao conceito de Nacionalidade enquanto um instrumento nato ou não, em alguns casos latente, de um povo ou nação.

Anderson (1989) afirma haver muitas variantes a fim, abordar ou mesmo imaginar uma comunidade de párias que tem por finalidade conseguinte se tornar uma nação nos moldes modernos. Portanto o autor encontra no caso nipônico um fator decisivo que mostraremos ter sido muito bem utilizado pelo governo. Este teria sido justamente o fator biológico e linguístico.

Como sabemos o Japão passou cerca de dois séculos e meio isolado do resto do mundo, isto proporcionou relativa isonomia cultural entre os nipões, de modo que mesmo assim até o advento da Restauração a sociedade japonesa não havia sido pensada de um modo universal e unificado apesar da centralização e relativa paz do Xogunato Tokugawa. Isto porque não teria havido ainda a necessidade de enquadrar o Estado da forma como registrou-se necessária após a era Meiji.

Embora contando com tantos fatores positivos ao florescimento de um sentimento nacionalista, este fenômeno social permaneceu latente até a restauração, onde, sobretudo, teremos este conceito atrelado à figura hierofana do imperador, enquanto mantenedor do estado, e representante divino não só da casa imperial nipônica mais sim de todos os seus súditos.

Deste bojo de misticismo a necessidade governamental teria sido visada de tal forma, a legitimar a autoridade Imperial, de modo que na ocasião de seu juramento, Meiji delega aos seus ancestrais o seu direito de governabilidade. Com isso nada mais, pretende do que perpetuar não apenas a sua autoridade enquanto agente “máximo” do Estado, mas também insuflar o brio dos japoneses para que estes se sentissem também herdeiros, e propagadores da imagem de um Estado sólido e coeso em todas as esferas possíveis.

A partir desse ponto, o Estado passa a “doutrinar” os japoneses, de modo a venerar a pátria, essa é a base da cartilha escolar elaborada pelo Departamento de Educação juntamente com o departamento do Xintó, que discorria a história do povo nipônico atrelando-a à uma longa teogonia, cuja permanência da linhagem divina manifestada no próprio Imperador como afirma Benedict Ruth (2007).

Somente com base nesses dados é que podemos observar do ponto de vista racional que, esteja disposta na Constituição em seu primeiro capítulo no artigo primeiro que o imperador provém de uma longa linhagem divina da qual deve ser perpetuada para sempre. Já em seu artigo terceiro onde a constituição é categórica em afirmar que o poder do imperador é soberano e inviolável.

Destarte remetemo-nos aos artigos do primeiro capítulo da Constituição que se encarregam de incumbir o Imperador de declarar a guerra ou paz, assim como os outros que atrelam a ele a autoridade sobre o Exército e Marinha. Toda essa primazia em detrimento das forças armadas tem como foco respaldar anexações ultramarinas, como ilustra o caso da guerra Nipo-Russa (1904-1905).

Assim como o militarismo, a Restauração Meiji, foi “mãe” de muitos outros conceitos dos quais ainda hoje adquirem ênfase histórica, tal qual o caráter modernizante em que se pautaram muitas das decisões tomadas durante os anos do Imperador Meiji (1867-1911). Tal orientação se encontra expressa no próprio juramento imperial onde os motivos da futura estruturação acompanharam um curso natural em detrimento aos avanços ocidentais “Em atenção à tendência progressiva do curso de negócios humanos e em paralelo com o avanço de civilização” (JAPÃO, 1889)

Logicamente o impulso modernizante não ocorreu de modo unilateral, o interesse em modernizar o Japão emergiu da confluência das bases rurais que a princípio apresentaram considerável resistência, da nobreza interessada na centralização do poder imperial, e das bases burguesas (comercias), com a extinção de arquétipos estruturais arcaicos (jurídico) e governamentais obsoletos, como o caso do Xógun em 1867 e dos samurais em 1870 (SETTE 1991).

Contudo devemos entender a modernização engendrada durante a Era Meiji não apenas como um [re] aparelhamento político, burocrático, e financeiro, mas também como fruto de uma orientação e enquadramento nipônico aos padrões ocidentais, de forma que fosse mantida a essência cultural japonesa mimetizando, em maior ou menor grau padrões já estabelecidos no ocidente. Esta modernização Meiji se operou de modo idiossincrático cuja função social e jurídica se processou de forma a pulverizar estados de julgamento obsoletos, e por sua vez universalizar e nacionalizar as posturas ideológicas.

O sucesso dessa laboriosa jornada pode ser medido através da eficiência com qual o Império passa a gerir questões de ordem socioeconômica. Visando entre outros, interesses um militarismo expansivo registrado desde o início da Restauração. Cessado apenas mediante a imposição do “Instrumento de Rendição do Japão” assinado à 2 de setembro de 1945, na Baia de Tókyo. Portanto podemos concluir que os efeitos da administração Meiji, de forma alguma se restringiram ao longo período de reinado do Imperador (1867-1914).

No entanto talvez, nem os próprios patriarcas da Restauração poderiam ter concebido que a projeção das reformas administradas durante a Era Meiji acabassem trazendo consigo efeitos colaterais tão nocivos, quanto os registrados em Hiroshima e Nagasaki à 6 e 9 de Agosto  de 1945. Contudo o êxito no plano social foi incontestável, uma vez que no início do século XIX o Japão situava-se num denso ostracismo econômico e no limiar deste mesmo século depois de empreendidas séries de “modernizações” a economia nipônica emergia do total obscurantismo a uma assombrosa proeminência.

Onde não teria sido possível encontrar uma única fabrica em 1853, prosperavam indústrias em 1903, sujando de fumaça os céus de onde haviam descido os deuses para criar as ilhas nipônicas e produzindo para a população os bens tradicionais de consumo, além de artigos outros que nunca haviam sido vistos naquelas terras.

(SETTE 1991, p. 2)

Enfim, encaminhamo-nos as disposições finais de nossa análise para podermos  discorrer de forma sucinta sobre determinados aspectos da Meiji Issihin, onde, sobretudo, configurou-se como um momento ímpar durante os cerca 2670 [6] anos de história política japonesa. Seus efeitos espraiaram-se tanto no campo econômico quanto no social. Legando as gerações futuras uma tradição assente entre o passado e o futuro, que de forma idiossincrática arbitrou em preservar na medida do possível seu núcleo cultural intacto.

Deste modo, a aplicação do termo ao contexto político japonês na ocasião da Restauração Meiji, consegue analogamente exprimir de forma cabível o processo de “importação” de arquétipos ocidentais necessários a instrumentalização de um “Estado Moderno”, perante qual o Japão se vê as voltas durante o século XIX. Portanto, aquilatada à luz de uma orientação política de necessidades internas, porém atinada economicamente para fora de seus próprios limites. As elites nipônicas percebem que a manutenção de sua autonomia política dependeria justamente do êxito neste processo adaptativo, caso contrário o Império do Sol Nascente poderia ruir, assim como o Chinês ante as nações ocidentais. Tarefa que por sinal logrou fazer de forma eficiente como, enfim podemos destacar através das palavras de Lidenberg Sette (1991, p. 147)

Certamente, a Restauração Meiji não assegurou a cada um dos japoneses a sua felicidade individual. Não deu riqueza e prosperidade instantânea ao povo. Não realizou uma utopia. Mas não eram esses os seus objetivos. A revolução dos samurais foi feita para evitar a colonização do Japão e fazer dele uma nação moderna, respeitada pelo mundo e dotada de respeito próprio, coisas que não podiam ser separadas. Esses objetivos foram atingidos com êxito extraordinário.

Referencias

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[1] Devido aos avanços tecnológicos trazidos pelas Revoluções Industriais Europeias a parir do século XVII

[2] Gover

[3] Esta liga integrava os daimyô das províncias de; Satsuma, Chôshû, Tosa, Hizen.

[4] Espécie de aborígenes nipônicos cuja a estadia no arquipélago japonês seja registrada desde o século III a.C.

[5] Subtenda-se Estado Meiji

[6] Chegaremos a esta estimativa se considerarmos correta a cronologia contida no Kojiki (712) que atribui como sendo Jimmu Tennô o primeiro Imperador do Japão governado entre 660–582 a.C.

O Universalismo do Sobrenatural: Partindo de um âmbito geral podemos considerar que todas as civilizações que legaram um conhecimento histórico, seja de forma escrita ou mesmo ágrafa, em algum determinado momento de sua existência vivenciaram em maior ou menor grau, um entendimento acerca do sobrenatural. Em outras palavras poderíamos dizer que todo o conhecimento acerca da realidade permanecia atrelado ao campo do transcendental. Do mesmo modo, como teria ocorrido no mundo ocidental desde o homem paleolítico europeu, passando pelas civilizações orientais como a mesopotâmica, egípcia, e mesmo a Grécia considerada berço da filosofia “ocidental” emerge do bojo de uma profunda [re] interpretação acerca do natural e sobrenatural. De modo que mesmo separados geograficamente, oriente e ocidente o homem enquanto individuo experimentou, um constante processo de refinamento de seu entendimento sobre aquilo que não podia explicar.

À Oriente do Oriente: Encontramos nas civilizações extremo-orientais, uma multiplicidade de concepções incríveis acerca do transcendental. Conduto é em direção a um arquipélago de ilhas situadas mais ao extremo oriente que nossa narrativa adquire sentido, justamente em função de um aparato deveras idiossincrático pelo qual as populações de reino do sol nascente, irão refinar conceitos emprestados do budismo. Muito embora o reino de Yamato (antigo nome do Japão), já possuísse por volta do século VI, data em que o budismo é introduzido em território nipão, um entendimento acerca do sobrenatural muito coeso e particular. O Xintó comumente associado como religião autóctone do Japão, concebia o mundo ladeado por divindades que poderiam variar desde os fenômenos naturais como relâmpagos, trovões, entre outros enquadrando-os como Kami (deuses), este conceito comporta tanto forças naturais, quanto deidades do alto panteão nipônico, tal qual os deuses da teogonia xintó como Amaterasu no Obo-kami.

Conformações Sincréticas da Metafísica Oriental- A Morte abordada sobre a perspectiva Nipônica: A fim de, diminuir as tensões sociais e religiosas resultantes do embate entre budismo e xintoísmo foi administrada no Japão uma política de sincretismo religioso, de modo que, estas duas orientações filosóficas passam a desfrutar de um convívio pacifico e confluente entre si. A partir de então a “dinâmica” acerca do sobrenatural passa a ser concebida de um modo mais requintado. Destarte o próprio conceito de morte / cadáver que perante a égide do xintoísmo estivera sobrecarregada de receios, não apenas relacionados a morte enquanto fato, uma vez que o horror a respeito dela, provinha justamente da incapacidade pela com a qual o xintó até então não conseguia resolver as questões sobre o post-mortem, talvez  por isso instruía seus conscritos a aproveitarem as regalias e prazeres vida proporcionava.  Porém com o aporte de conceitos budistas estas visões acerca da morte passa a ser administrada seguindo outra “lógica”. Passam-se inclusive a admitir uma “sobrevida” além da morte através do Reikon, que de modo resumido poderíamos atribuir como o conjunto alma e espírito. Muito embora este conceito admita re-encarnações, também considera um desvio de regra justamente onde abre precedente a possibilidade de um espírito permanecer no mundo dos vivos.  Este refinamento em relação à morte abre novas perspectivas acerca dos cuidados que passam a ser dedicados aos mortos, a partir de então cada vez, mais os mortos passam influir no mundo dos vivos.

Post- Mortem / Post-Vitae; Kwaidan A Sina dos Fantasmas Japoneses: Lafcadio Hearn (1850-1904) jornalista grego, de formação norte-americana radicalizado japonês, escreve no mesmo ano em que faleceu, sua obra mais famosa o Kwaidan (relatos de acontecimentos ocultos), coletânea de lendas fantasmagóricas da época do Japão xogunal que compreende dos séculos XII-XIX. Muitas destas lendas devem sua existência ao teatro Nô, que constantemente as adaptou e as vem reproduzindo em forma de espetáculo desde o século XVII até os dias de hoje! Partindo do pressuposto búdico de Reikon, em relação aos mortos, se adquirem novas praticas ritualista tanto para com o cadáver, quanto para o espírito do morto, tal qual a purificação do cadáver (conforme vemos no filme Okuribito 2008), até a veneração domestica em honra ao falecido (ko). No entanto se estes rituais porventura forem negligenciados o rei (alma) da pessoa permanece na terra. Embora estas razões cerimoniais dificilmente “prendam” espíritos no mundo dos vivos, muitas vezes a existência dos Yūrei japoneses (fantasmas) tem origem em fatores mais triviais, como desejo de vingança de Oiwa, que passa atormentar seu ex-marido por tê-la assassinado, ou mesmo o sentimento de culpa e injustiça que move  Okiku, assassinada por seu senhor, em decorrência de um acidente de trabalho, passando a atormentá-lo até que seu  algoz se mate. Apesar de termos traçado em linhas gerais o assunto, devemos sublinhar que o imaginário caminha em paralelo a sociedade da qual esta vinculado. Contudo ainda hoje percebemos constantes [re] invenções inclusive do imaginário nipônico como é o caso da Toire no Hanako-san, fantasma que assombra “pacificamente” os banheiros das escolas secundarias japonesas. Sem mencionarmos as histórias que serviram de roteiro as produções  hollywoodianas como O Chamado (2002), e O Grito (2004), que por sinal são readaptações ocidentais das versões nipônicas do best-seller homônimo ‘Ju-on’ (O Grito) de Takashi Shimizu, e ‘Ringu’ (O Chamado) de Koji Suzuki.

A miríade nipônica acerca do imaginário tem-se relevado tão longa e caudalosa, quanto a história deste povo. Legando um entendimento  acerca do bem/mau, vida/morte, deveras  interligadas, de forma constante e intensa. Portanto abordar este imaginário é dar um passo à adiante no sentido de [re] conhecer o outro, enquanto agente cultural.

Estrutura Educacional Brasileira pós 1930

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL - OTAÍZA DE OLIVEIRA, ROMANELLI / 23ª EDIÇÃO/EDITORA VOZES/ RIO DE JANEIRO 1999/ Resumo: CAP. 3

JACINTO, JULIO.C

 

 

A EDUCAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO APÓS 1930

 

3.1. O SIGNIFICADO DA REVOLUÇÃO DE 1930 PARA O DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO

3.1.1. Rápido Esboço dos Fatos Ocorridos Entre 1930 e 1964

 

No mês de outubro de 1930 cai o governo de Washignton Luiz, devido a movimentos armados que vinha acentuando-se desde 1920.Movimentos esses que visavam o total rompimento com as velhas políticas oligárquicas.Através desses movimentos se lançaram as bases para a revolução brasileira, cujo ideal maior era a implementação do capitalismo no Brasil. Meta essa que só foi possível ser alcançada em 1930.Logicamente essa crise foi acentuada mediante a política econômica do Brasil frente ao protecionismo do café, pratica que se tornou impossível por dois motivos:

Primeiro, à crise mundial de 1929, que causou uma retração dos financiamentos externos pelos quais o governo se valia para comprar o excedente de produção.

Segundo, foi à saturação das capacidades de estoque,e armazenagem do café que superavam os limites suportáveis.Com a extinção da ajuda financeira estrangeira o Brasil fica entregue à sua própria mercê, tendo ainda a agravante da superprodução do café.No entanto a economia nacional recupera-se devido aos constantes acúmulos de capitais e por sua vez o investimento no mercado interno.Investimento que vinha sendo remanejado aos poucos da área agrícola para a industrial.Com a crise mundial surgiu à impossibilidade de se exportar produtos, o método adotado então foi o constante investimento no mercado nacional, que levou o Brasil a um crescimento significativo. Depois de um crescente pensamento de que o estado deveria estar mais ligado ao setor bem sucedido das industriais e se desvincular das velhas oligarquias.Mediante vários movimentos armados e muita insatisfação elege-se com o golpe de 1930 Getulio Vargas. Contando com o apoio de varias camadas sociais Vargas instala uma política populista de forte controle estatal.Com essas bases Vargas cria um estado forte e centralizador de poder, pronto para explorar os diversos recursos naturais do Brasil, tais como a siderurgia e o petróleo.Vargas também cuida dos interesses dos trabalhadores com a criação da previdência social.Com o fim de seu governo “provisório” de 15 anos elege-se Dutra, que por sua vez tenta desvincular o estado de suas funções de controle nas industrias, criando assim um liberalismo econômico, fato que se tornou impossível mediante a cauterização mental à que Vagas submeteu não só a industria mas toda a população.Com a sua política populista.Vargas volta ao poder dessa vez por eleições diretas com apoio da maioria das camadas sociais. Principalmente daquelas que se beneficiaram com as leis previdenciárias.Acaba cometendo suicídio em 1954 o Brasil passa então por um período conturbado e de varias “conspirações”. O presidente mais significativo desse período foi Juscelino kubistchek, que ampliou o mercado nacional através da instalação de filiais de multinacionais e da abertura ao mercado estrangeiro.Apos Juscelino, elege-se Jânio Quadros que governa por sete messes, dando lugar ao seu vice João Goulart, que foi exonerado de suas atividades presidências com o golpe militar em 1964.

 

3.1.2. Os vários rompimentos que caracterizaram esse período

 

É a partir do séc xx que o “povo” passa a contar com certa importância na política brasileira, particularmente os setores médios, proletários, urbanos, e rurais. E essa importância é em partes aplicada as grandes manifestações, movimentos armados e etc, que visavam em síntese romper com, a antiga política econômica. Para superar os problemas da crise de 29 o Brasil , como já vimos passa a investir nos setores de industrias mudando a mentalidade de um país meramente agrícola a uma cultura industrializada, o que faz com que a escola obtenha um caráter de “qualificação” de mão de obra para essas industrias que demandavam, cada vez de recursos humanos.A partir de desse ponto juntamente com o começo do êxodo rural (1945), fez que se mudasse a mentalidade sobre a necessidade do ensino.Mudança essa ocorrida em virtude da necessidade de se formar mão de obra para as industrias.Tem-se então um país que formava trabalhadores em suas escolas e não cidadãos.Pois nesse período o ensino só cobriu o contingente de que a industria demandava, retirando o rigor cientifico e dando uma conotação mecânica e simplesmente capitalista ao individuo que só estudava para obter o diploma e ir trabalhar.

 

3.2. AS NOVAS EXIGENCIAS EDUCACIONAIS DA INDUSTRIALIZAÇÃO

 

3.2.1. A Influência da Revolução Capitalista na Expansão do Ensino

 

A partir daqui vemos como o capitalismo dita as regras da educação no Brasil.Visto que essa ascensão do capitalismo só foi possível na dec de 30 onde acaba acontecendo o rompimento com a velha política oligárquica. Revolução que veio um pouco tarde pois já desde a revolução industrial ocorrida na Europa na segunda metade do séc XIX, já foi iniciado um processo educacional mais acentuado de maneira a ser gratuito de universal .É Importante salientar o motivo de tal evolução e crescimento educacional ter ocorrido não só na Europa mas também no Brasil, após o advento do capitalismo.O fato esta em que, com o desenvolvimento de um mercado consumista registrou-se a necessidade de se levar o mínimo de conhecimento possível para as grades camadas dá população, visando assim um maior lucro nas vendas industriais. No Brasil como já vimos isso foi possível só depois da revolução de 1930 em que se procurou industrializar o país, antes porém quando ainda exportar de café e com bases agrícolas não havia necessidade do ensino pois, até as ferramentas eram rudimentares e arcaicas, não exigindo muito esforço mental para manejá-las.Do mesmo modo como a expansão capitalista não se espalhou de forma homogênea por todo país, da mesma forma ocorreu com a distribuição das escolas, que se concentravam onde havia uma maior industrialização.Por esse e outros motivos que se originaram as lutas de classes que entre outras reivindicações lutava por uma democratização maior do ensino, e por uma melhor distribuição das escolas pelo território nacional.Devido as enormes pressões foi inevitável que esse ensino se expandisse mesmo sem estar preparado para tal, assim expandiram-se às distribuições de forma quantitativa as vagas nas escolas mas a qualidade ainda deixava muito a desejar, e o ensino de nível médio ou superior ainda continuava muito elitizado.

 

3.2.2. Aspectos Quantitativos Assumidos Pela Expansão Escolar

 

Observou-se um crescimento considerável na procura por escolas, crescimento esse que não foi seguido de qualidade e estrutura escolar. Esse aumento foi possível por várias fatores entre eles, o processo de urbanização, e o aumento na renda per capita da população, Com a ajuda de dados técnicos podemos verificar que de 1900 à 1970 houve uma evolução constante na procura por vagas escolares e do desejo de estudar por parte da população.Concluímos então com bases nesses dados que:

Definitivamente a uma profunda relação entre crescimento demográfico,urbanização e aumento na taxa de alfabetização. Esse crescimento só se acentuou na dec de 40 após a instalação definitiva do capitalismo no Brasil.Esse crescimento é desigual em várias regiões brasileiras.Evidencia que a sociedade está mais empenhada na luta pela educação.E que a expansão escolar não foi suficiente nem adequada às exigidas pela demanda do desenvolvimento.

 

3.3. O CRESCIMENTO DA DEMANDA SOCIALDA EDUCAÇÃO E A EXPANSÃO DO ENSINO

 

3.3.1.Os Rompimentos Da Estrutura Social e Suas Repercussões no Quadro das Aspirações Culturais da Sociedade Brasileira

 

Até a dec de 30 o sistema e ensino brasileiro fora pautado de forma dualista, por um lado estavam as escolas primarias para os pobres e por outro lado o ensino secundário que preparava para o aluno ao ensino superior do qual só a elite dispunha.O que embasava esse dualismo era a mentalidade da população mais pobre que até certo ponto compactuava com a idéia de um ensino que preparasse o individuo para o trabalho nas industrias, esse mesmo ensino primário não dava perspectivas de um avanço aos níveis superiores,dessa maneira o ensino primário se tornava o primeiro e ultimo contado com, a educação de que dispunha a população pobre. Com, o desenvolvimento do capitalismo também iniciam as lutas entre classes, que na área educacional teve como metas levar um, ensino secundário e superior as camadas mais pobres .Com toda a pressão o governo acaba cedendo, e “democratiza” ensino porém a qualidade ainda é muito precária e escola continua desestruturada.

 

3.3.2. As Demandas Potencial e Efetiva e a Expansão Geral do Ensino

 

Levando em conta as relações que a educação pode assumir com a sociedade, podemos descrever que:

A ralação na qual a escola a é vista como um fator de mudança social, e também fator de desenvolvimento,e que não atende só a quantidade mas também a qualidade.E temos também a ralação onde a escola é insuficiente e tem como meta o alcance quantitativo e não prima por qualidade de ensino.Como síntese podemos dizer que a demanda comanda a expansão do ensino,essa demanda pode ser potencial onde o crescimento demográfico, dita a necessidade de escolas para suprir essa mesma demanda.E temos a demanda efetiva onde além do crescimento demográfico a um desejo efetivo de mais educação.No Brasil verificou-se como fator fundamental à expansão do ensino como fator de crescimento educacional o da demanda efetiva, que abrangia desde a população dentro da faixa etária de aprendizado (as crianças) quanto aqueles que já estavam fora de idade de aprendizado do ensino primário convencional (maiores de 19 anos).Chegamos a esses dados após ver que só a demanda potencial não foi capaz de expandir o ensino como conseqüente foi o fator demanda de efetiva que mesmo em defasagem fez com que fosse expandido o ensino.

 

 

 

 

 

 

3.4. AS DEFICIENCIAS QUANTITATIVAS DA EXPANSÃO DO ENSINO

 

A partir da dec de 30 houve um grande crescimento na demanda por educação, esses números se tornam claros quando vemos que nesse mesmo período as matriculas nas escolas terem crescido num ritmo duas vezes maior do que o da população.Mesmo assim, em 1970 cerca de 70% da população continuavam sem acesso a escola.Esse efeito ocorre devido a uma péssima estruturação do ensino que não tinha capacidade para absorver todo toda a demanda.E muito menos conseguia reter esses alunos por muito tempo nas escolas. No campo porém o panorama era outro havia pouco interesse por ensino em função do capitalismo ter pouca presença, e a população no geral não sentia necessidade de ir para escola. Voltando ao problema das cidades, um fator que influenciava a falta de vagas era o de cerca de 58,13% dos alunos matriculados no primário já terem ultrapassado a faixa dos 10 anos, fator que impedia o ingresso de novos alunos dentro da faixa etária adequada.No ensino médio e superior se verificou os pontos de estrangulamento que respondiam a passagem de um nível para outro, fato muito comum principalmente nas universidades.Onde se oferta um numero de vaga compatível com o espaço físico da instituição e não uma quantia que pudesse absorver toda a demanda, tornando a entrada para a universidade muito mais seletiva.Podemos concluir que a expansão do ensino ocorrida de devido à pressão da demanda por novas vagas ocorreu de forma pouco elástica ou seja sem estrutura para que pudesse no futuro abranger toda a demanda que se tornava cada vez mais efetiva.

 

3.4.2. Segundo Aspecto da Marginalização:O Rendimento Interno do Sistema Escolar

 

O que evidencia o baixo rendimento interno da escola é o fato de esta não conseguir prender o aluno até, os níveis seguintes do ensino, marginalizando cada vez mais a população. Traduzindo isso em números veremos que na dec de 40 para cada criança que ingressava no primário apenas uma atingia o nível superior. Alem da seleção feita logo no primeiro ano de ingresso do aluno que acarreta em cerca de 50% dos alunos,no qual muitos reprovam ou se evadiam da escola, dos quais futuramente iam engrossar aqueles alunos com faixa etária estourada que retinham lugares de crianças que poderiam entrar, ainda a tempo de sua idade.Não pára somente ai o problema dos alunos repetentes ou dos que se evadiam.Ocorre que por terem pouco tempo de estudo algumas vezes menos até que um ano,esses alunos voltavam mais tarde à escola devido a pouca preparação ou se tornavam analfabetos funcionais dos quais mais tarde o governo tenta erradicar. Vale ressaltar também que o problema da evasão e da repetência não é de todo culpa apenas da escola.Outros fatores externos também contribuem para que esse problema ocorra, que vão desde a precariedade econômica da família do aluno que muitas vezes não possui condições de comprar o material necessário ao aluno,ou ainda faz com esta criança tenha que trabalhar.Por parte da escola o que pesa é a estrutura do ensino que muitas vezes se torna cansativo e enfadonho apresentando um conteúdo com pouca relação à realidade do aluno ou de difícil compreensão, o próprio processo avaliativo que prima pela memória e não pelo raciocínio é um fator que contribui para o alto índice de reprovação.Há também de se ressaltar que em certas regiões do Brasil, a escola em sua estrutura física não oferece os mínimos padrões necessários para o ensino.Unindo uma péssima estrutura física, e em alguns casos a baixa formação profissional do professor implica num péssimo rendimento escolar. Fatores esse que soam para a pedagogia como uma grande derrota particularmente no caso do ensino primário em que ocorre a maior seletividade, privando assim o individuo de um mínimo de educação necessária para a sua vida.Esse efeito pode ser sentido na parte econômica onde o investimento alto do governo não gera uma mão-de-obra produtiva para o mercado de trabalho,e no setor social onde ainda impera uma grande desigualdade social em que a população mais pobre ainda por falta de oportunidade e de preparação continua a ser marginalizada, e continua em defasagem em relação à elite.Por fim no campo cultural, que implica num atraso culturalmente falando por parte da população que fica privada de exercer certos direitos dos quais lhe é assegurado e que não desfruta por falta de conhecimento.

 

3.3.3. Terceiro Aspecto da Marginalização: A Discriminação Social

 

A luta por educação no Brasil passou a ser uma luta de classes.De um lado estava a população mais pobre que exige uma expansão do ensino, e tenta fazer desse um instrumento de acessão social.De outro lado estava a elite que impossibilitada de barrar o avanço físico das escolas tornou o ensino então mais seletivo cuidando para que somente os “mais preparados” subissem para os níveis seguintes da escola.Quando se coloca o termo “mais preparado” deve-se entender que só aquele que possuía melhor capacidade de reter mais conhecimento técnico e cientifico que a escola passava era o que subia para a universidade, nesse aspecto a população de menor poder aquisitivo os quais não dispunham de dinheiro para pagar um cursinho pré-vestibular eram consideravelmente prejudicados, pois estavam em posição de desvantagem.Imperava também na maior parte da população o pensamento de que somente com o diploma que o governo fornecia seria o suficiente para conseguir um bom emprego não se preocupando com o teor do ensino propriamente dito e sim com o diploma.

 

3.5. DEFICIÊNCIAS ESTRUTURAIS DA EXPANSÃO DO ENSINO

 

3.5.1. Introdução

 

As mudanças que podem ocorrer no ensino assumem dois cunhos ou são quantitativos ou seja são exigidas mais escolas,e por conseqüente maior numero de vagas. Ou essa mudança pode ser por qualidade, exigindo que sejam implantados novos padrões que se moldem em torno da necessidade do mercado de trabalho.Tendo em vista porém, que a educação age em favor de quem polariza o poder em mãos.À medida que certas camadas da população começam a pensar que o estudo é uma ferramenta da qual permite-se uma mobilidade social e tenta fazer uso dessa ferramenta para evoluir começa a impor uma certa competição com os setores da elite, por isso importa a esse setor impedir que educação evolua e deixe de ser seletiva, pois desse modo exerce maior controle sobre a população e sobre a distribuição de bens.Por isso a expansão da educação no Brasil foi efetuada com vista somente em sanar a quantidade e não a qualidade.

 

3.5.2.O Caráter das Mudanças Ocorridas no Brasil e Suas Repercussões Na Evolução Do Sistema Educacional

 

Até a dec de 30 quando ocorreu à revolução, o ideal de educação era pautado por excelência na elite oligárquica que fazia uso da escola como uma mera ferramenta de status social,e não via nela importância alguma.Portanto em 1930 a escola assume um papel pelo menos ilusório de preparação ao mercado de trabalho.É lógico que isso foi impossível ao primeiro impacto pois o método de ensino ainda era insuficiente para tal, portanto com a iniciativa de órgãos privados e do governo foram criados as escolas técnicas como o (SENAC) Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial e o (SENAI) Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.Dessa maneira a escola ficou com o dever de ensinar apenas o essencial para que o aluno pudesse seguir para um desses cursos e enfim se especializar.Outra área do ensino superior que também teve grande procura foi o das Faculdades de Filosofia.Tais instituições foram criadas com dois objetivos básicos que foram formar profissionais que atuassem na área de pesquisas e também formar professores. No entanto falharam no quesito da pesquisa porque esse tipo de ensino e a formação de tais profissionais são extremamente onerosos.E no caso dos professores,os baixos salários ministrados eram pouco atraentes,por isso basicamente salvo algumas exceções, às pessoas que procuravam esses cursos eram aquelas que não podiam pagar por um curso mais disputado (medicina,engenharia, etc..) ou então no caso das mulheres buscavam um status melhor para um bom casamento.Outro fator desestimulante foi que com, o passar dos anos ocorreu uma concentração excessiva desses profissionais em determinadas cidades,o que faz com que muitos nem ao menos exerçam a atividade da qual se formaram.

 

Teorias de Ocupação da América

Meio natural e o desdobramento

 

JACINTO, JULIO.C

 

Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da natureza aquelas suas partes ou aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida, valorizando, diferentemente, segundo os lugares e as culturas, essas condições naturais que constituíam a base material da existência do grupo.

 

Esse meio natural generalizado era utilizado pelo homem sem grandes transformações. As técnicas e o trabalho se casavam com as dádivas da natureza, com a qual se relacionavam sem outra mediação.

 

O que alguns consideram como período pré-técnico exclui uma definição restritiva. As transformações impostas às coisas naturais já eram técnicas, entre as quais a domesticação de plantas e animais aparece como um momento marcante: o homem mudando a Natureza, impondo-lhe leis. A isso também se chama técnica.

Nesse período, os sistemas técnicos não tinham existência autônoma. Sua simbiose com a natureza resultante era total (G. Berger, 1964, p. 231; P. George, 1974, pp. 24 e 26) e podemos dizer, talvez, que o possibilismo da criação mergulhava no determinismo do funcionamento. As motivações de uso eram, sobretudo, locais, ainda que o papel do intercâmbio nas determinações sociais pudesse ser crescente. Assim, a sociedade local era, ao mesmo tempo, criadora das técnicas utilizadas, comandante dos tempos sociais e dos limites de sua utilização.

A harmonia socioespacial assim estabelecida era, desse modo, respeitosa da natureza herdada, no processo de criação de uma nova natureza. Produzindo-a, a sociedade territorial produzia, também, uma série de comportamentos, cuja razão é a preservação e a continuidade do meio de vida. Exemplo disso são, entre outros, o pousio, a rotação de terras, a agricultura itinerante, que constituem, ao mesmo tempo, regras sociais e regras territoriais, tendentes a conciliar o uso e a “conservação” da natureza: para que ela possa ser, outra vez, utilizada.

Esses sistemas técnicos sem objetos técnicos não eram, pois, agressivos, pelo fato de serem indissolúveis em relação à Natureza que, em sua operação, ajudavam a reconstituir.

 

Determinismo


Friedrich Ratzel

         O determinismo geográfico defendia que as características dos povos se devem à influência do meio natural. Hipóteses populares como “o calor torna os habitantes dos trópicos preguiçosos” e “mudanças freqüentes na pressão barométrica tornam os habitantes das latitudes médias mais inteligentes” eram assim defendidas e fundamentadas. O determinismo geográfico constitui um embaraço para muitos geógrafos contemporâneos e leva ao ceticismo sobre

 

aqueles que defendem a influência do meio na cultura. Porém o determinismo foi uma teoria reducionista do pensamento do alemão Friedrich Ratzel, que dizia que o meio influencia, mas não que determinava o homem.

La Blache postulou a idéia de que o homem não seria mais determinado pelas condições naturais, mas um ser ativo capaz de transformar o meio onde vive. A natureza seria apenas condicionante das ações humanas, mas sua transformação uma obra humana.

Daí desenvolve a noção de gênero de vida – uma definição próxima à noção de cultura – capaz de identificar os agrupamentos humanos e caracterizá-los segundo sua forma de organização da,

 

Vidal De La Blache

  • Possibilismo  produção, mas com pouca atenção oferecida aos aspectos simbólicos.

             A noção de gênero de vida valoriza a técnica associada às seguintes formulações:

O crescimento populacional levaria a um aprimoramento das técnicas para prover as necessidades dos homens. A possibilidade de movimento das sociedades que possibilitava não apenas a busca para territórios com condições mais favoráveis como, a partir do encontro, também poderia desenvolver uma melhoria em suas qualidades técnicas.

Teorias de Ocupação das Américas 

         A arqueologia da América é o estudo da pré-história da América do Norte, da América Central (ou Mesoamérica), da América do Sul e do Caribe, ou seja, a história Pré-Colombiana (antes da chegada de Cristóvão Colombo) dos povos nativos americanos. Até recentemente, a interpretação mais largamente aceita baseada nos achados arqueológicos era de que os primeiros humanos nas Américas teriam vindo numa série de migrações

 

         Teorias de Ocupação das Américas 

 

Da Sibéria para o Alasca através de uma língua de terra chamada Beríngia, que se formou com a queda do nível dos mares durante a última idade do gelo, entre 24 e 9 mil anos atrás. No entanto, achados na América do Sul mudaram o pensamento dos arqueólogos. O fóssil de uma mulher com 11 mil anos foi encontrado pela arqueóloga francesa

Annette Laming-Emperaire na década de 1970. O fóssil recebeu o nome de Luzia, apelido dado carinhosamente pelo biólogo Walter Alves Neves, do Instituto de Biociências da USPAo estudar a morfologia craniana de Luzia, Neves encontrou traços que lembram os atuais aborígines da Austrália e os negros da África.

Ao lado do seu colega argentino Héctor Pucciarelli, do Museo de Ciencias Naturales de la Universidad de La Plata, Neves formulou a teoria de que o povoamento das Américas teria sido feito por duas correntes migratórias de caçadores e coletores, ambas vindas da Ásia, provavelmente pelo estreito de Bering, mas cada uma delas composta por grupos biológicos distintos.

 

         A primeira teria ocorrido 14 mil anos atrás e seus membros teriam aparência semelhante à de Luzia. O segundo grupo teria sido o dos povos mongolóides, há uns 11 mil anos, dos quais descendem atualmente todas as tribos indígenas das Américas. Há várias interpretações para estes achados (e para a pré-história das Américas)

 

·        Uma é de que a migração através da “ponte de Bering” pode ter ocorrido durante a glaciação anterior, há cerca de 35 mil anos.

·        Outra teoria sustenta que os “siberianos” teriam sido precedidos por imigrantes da Oceânia, que teriam chegado, seja de barco, através do Oceano Pacífico,

Seja pela mesma rota terrestre da Beríngia, mas num período muito anterior. Os proponentes desta teoria afirmam que os restos humanos mais antigos que se conhecem, tanto na América do Sul, como na Baixa Califórnia, têm traços distintamente não-siberianos, parecendo-se mais com aborígenes australianos ou com negritos das Ilhas Andaman.

 

·      Estes hipotéticos aborígenes americanos teriam sido substituídos pelos “siberianos” e podem ter sido os antepassados dos nativos da Tierra del Fuego (no extremo sul da Argentina e Chile), que estão quase extintos. A maioria dos antropólogos e arqueólogos considera que a genética, linguística e cultura dos índios da América do Norte mostram uma origem predominantemente siberiana. Por esta razão, pensa-se que pode ter havido pelo menos três migrações separadas da Sibéria para a América:

         A primeira chegou a uma terra povoada por grandes mamíferos na idade Pleistocena Superior, incluindo mamutes, cavalos, preguiças gigantes e rinocerontes peludos. A cultura Clóvis seria uma manifestação dessa migração e a cultura Folsom, baseada na caça do bisonte americano, ter-se-ía desenvolvido a partir da primeira.Esta leva de imigrantes poderia ter chegado até à Tierra del Fuego.

         A segunda migração trouxe os antepassados dos povos que falam as línguas Na-Dene, que se espalharam-se até ao dudoeste dos Estados Unidos e seriam os antepassados dos Apaches e dos Navajos.

         A terceira vaga constituiu os antepassados dos esquimós e dos aleútas. Eles podem ter chegado de barco através do Estreito de Bering, depois da ponte terrestre ter desaparecido.

 

Em anos recentes foram realizados estudos de genética molecular que sugerem ter havido, pelo menos quatro distintas migrações da Ásia para a América. Estes estudos fornecem também a evidência surpreendente de migrações da Europa durante o mesmo período, possivelmente de povos que tinham um modo de vida semelhante ao dos Inuits e Yupiks durante a última glaciação.

 

Os achados mais recentes no Brasil, permitem afirmar que a entrada do Homo sapiens no continente americano pode ter-se iniciado entre 150.000 e 100.000 anos atrás. Um continente tão vasto deve ter sido ocupado a partir de diversos pontos de penetração, que incluem também a via marítima, uma vez que o nível do mar variou durante as diferentes épocas e, em certos momentos, chegou até a 150 metros abaixo do nível atual,

Teorias de Ocupação das Américas 

o que significa que um maior número de ilhas existia, a plataforma continental era mais ampla, tornando essas viagens mais fáceis para os meios tecnológicos dessa altura do que se poderia supor. Uma conseqüência destas sucessivas vagas de migrantes é que grandes populações com línguas e provavelmente características físicas semelhantes se espalharam por várias áreas geográficas das Américas do Norte, Central e Sul.

 

        Uma vez que os nativos americanos tradicionalmente mantêm-se leais às suas tribos, os etnólogos têm tentado agrupar a miríade de tribos actuais em agrupamentos que reflitam as suas origens geográficas comuns, similaridades linguísticas e modo de vida. Apesar de muitos grupos terem uma vida nómada ou semi-nómada na época da ocupação européia do Novo Mundo,

Em algumas regiões, especificamente no vale do rio Mississippi, nos Estados Unidos, no México, na América Central e nos Andes da América do Sul eles formaram civilizações avançadas com arquitetura monumental e organizadas em cidades e estados, como foram os maias e os incas.

 

        Existem outras teorias sobre a origem dos nativos americanos:

 

Vários antropólogos, historiadores e arqueólogos têm sugerido que os nativos americanos são descendentes, quer de europeus, quer africanos que atravessaram o Oceano Atlântico. Alguns apontam a semelhança física entre os Olmecas e os africanos. Thor Heyerdahl demonstrou que é possível navegar da África para a América numa réplica dum barco de papiro do antigo Egito.

        Existe igualmente evidência genética de antepassados africanos em alguns índios da Argentina e arqueológica de artefatos que podiam ser de origem europeia de antes da ocupação da Europa por asiáticos.

         A maioria das religiões dos nativos americanos ensina que os humanos foram criados na América no princípio dos tempos e sempre ali viveram.

         A doutrina Mórmon diz os ameríndios são descendentes de Lehi e dos nefitas, que teriam sido Israelitas que chegaram à Américas cerca de 590 AC.

         No século XIX e princípios do século XX, houve proponentes da existência de continentes perdidos, entre os quais Atlântida, Mu e Lemúria, de onde poderiam ter vindo os primeiros habitantes humanos das Américas.

         No século XIX e princípios do século XX, houve proponentes da existência de continentes perdidos, entre os quais Atlântida, Mu e Lemúria, de onde poderiam ter vindo os primeiros habitantes humanos das Américas.

 

   FOTOS

 

 

 

 

Mapa do Estreito de Beringer

Mapa do Estreito de Beringer

 

 

Guerra das Coreias-Crítica

A Querela das Coreias

 

JACINTO, JULIO.C

 

Ultimamente estive estudando a guerra das Coreias. Destarte achei interessante discorrer um breve texto sobre este conflito que completa em Julho deste ano, 59 anos desde seu fim. A principio quero desmistificar que os americanos não foram os únicos interventores a aturarem nesse conflito, como comumente acreditados. Veremos então quem esteve envolvido, e mais importante por que se fez presente dispondo inclusive de tropas, algumas vezes pessoais como o caso da Etiópia, nas coreias.

 

QUEM ESTEVE COMBATENDO NAS COREIAS?

 

Os EUA enviam efetivo que ao total soma cerca de 250.000 soldados entre as três armas, marinha, infantaria, e força aérea.

A Grã Bretanha conta com a segunda maior força militar 16.000 soldados.

O Canadá manda 5400 (infantaria, marinha, força aérea)

A Austrália 900 homens.

A Nova Zelândia manda 800 homens e duas fragatas.

A Irlanda manda 7.200 homens alocados de suas colônias na Nova Guiné

A França manda 7.400 homens também sitiados em suas colônias na Indo-China

A Bélgica manda 5.600 homens

o Reino de Luxemburgo manda 400 homens junto com os belgas. (Damned! O reino de Luxemburgo é zueira, com pouco mais que 2500 Km, até o distrito onde moro é maior que este micro país. ‘Ps. Oxalá tivesse a mesma renda per capita’).

A Grécia manda 1000 homens

A Turquia manda 4600 para suprir as baixas do 2 ª companhia dos EUA

O império da Etiópia manda 1200 homens da guarda real, enviados pelo próprio imperador. (Sim senhores a Etiópia, também manda efetivo a Coreia)

A Tailândia manda 800 homens, mais duas corvetas de guerra classe navios

As Filipinas manda 1100 homens em contribuição a nova aliança militar

A África do Sul manda 800 pilotos. Atacando excessivos alvos da Coreia do Norte

A Colômbia envia 1100 homens e uma fragata. (Ela poderia ter mandado umas mudas de coca também, ! assim, ajudariam mais na subsistência agrária local. Pensem na cena; uma galera de coreanos cultivando coca, cujo óbvios fin,s são medicinais. Evo Morales teria aprovado a idéia!)

 

VAMOS AS CONSIDERAÇÕES FINAIS, QUE É O QUE INTERRESA A QUEM NÃO TEM SACO PARA LER O TEXTO TODO!

 

Vejam bem, onde, o seu historiador dileto (eu), quer chegar com esses apontamentos um tanto sarcásticos. O conflito nas coreias não foi apenas, um das muitas guerras intestinas provadas por várias dinastias ao redor do globo. O caso coreano era de extrema importância, ao sistema capitalista em geral. Em 1949 a China desbastada pela guerra civil (1927) e depois pela segunda guerra (1937) consegue implantar um sistema “pseudo” socialista muito idiossincrático. Ora a esta altura a guerra fria está rolando a ‘fullpower’ somados a União Soviética e a Republica Popular da China, temos a maior parte terrestre habitável do planeta comunista. Logo a maior parte da população, pertence a uma orientação filosófica, retrograda perante os ocidentais capitalistas. Isso sim é um risco não apenas isolado as coreanos, mas a todo o sistema capitalista como um todo. Por isso o interesse de tantos paises, em fazer o “nome” perante a ONU, fato malogrou.

 

Os sul coreanos conseguem até tomar Pyongyang, porém quando a China manda reforços, as tropas aliadas recuam as limites da Coreia do Sul. O ponto Maximo até onde os aliados conseguem chegar e se manter é o paralelo 38. Só no meu oriente isso acontece, os americanos ganham a fama de pacificadores, muito embora tenham tido ajuda de uma dezena de paises só eles foram os responsáveis por manterem paz no estreito coreano, pobrs coitados o Vietnam os educará!.

 

Pois bem! O mérito americano, é um placebo mental. E as tropas aliadas de um ponto de vista histórico levaram um pau desgracido, fracassando nas duas diretrizes básicas de sua real missão:

Deter o avanço comunista, (A Coreia do Norte continua sendo comunista)

E reunificar as Coreias ( Elas continuam separadas pelo tal paralelo até os dias de hoje.!)

Alias a região mais vigiada e militarizada do planeta fica ali, resultado de um serviço mal acabado.

 

Introdução: Geográfica Antiga

 

JACINTO, JULIO.C

 

O Japão deve ter estado, durante o Mesozóico ligado ao continente através da Coréia, da Manchúria e da Rússia Meridional. Há indícios de que também tenha ligação para sul, na direção das Filipinas e de Java isso à cerca de 100 mil anos. (KIDDER, 1970 p. 23)

           

 

Ambiente e Fauna

 

Os primeiros povos a habitarem o Japão provavelmente tenham emigrado em épocas distantes a procura de melhores condições de vida e caça ao chegarem no  arquipélago depararam-se com  a chamada Mega-Fauna (animais de grande porte). Foram encontrados no Japão ossos de elefantes, cervos, girafas até mesmo de mamutes. O desenvolvimento dessa mega-fauna foi possível, em solo japonês justamente por esse apresentar grandes índices pluviométricos, o que favorece o crescimento de grandes quantidades florestas fornecendo alimento básico a esses animais, que podem ter chegado no Japão quando ainda estava ligado ao continente pela Rússia Meridional em sua região norte, e pela Coréia em sua região sul.    

 

Primeiros Habitantes: Período Jomon (8000 a.C. a 200 a.C)

 

Foram classificados pela arqueologia como Homens da Cultura Jomon.  Os Jomons devem ter chegado ao arquipélago constituindo duas vagas migratórias contemporâneas, porém uma vindo do norte em canoas monoxílicas atravessando   as ilhas Sakalinas, e estabelecendo-se na região de Hokkaido (norte). Outra vinda do sul também em canoas através da península da Coréia estabelecendo-se na região de Kyushu (sul do Japão).

 

A datação cronológica dessa, e das demais culturas subseqüentes foi de difícil fixação; entre alguns dos fatores de dificuldade está, a disposição dos sambaquis (acúmulos de ossos, e lixo) que se situam imergidos no litoral japonês. Esse fenômeno ocorre pelo fato do arquipélago em tempos remotos ter estado embaixo da água e agora estar “subindo”. Especulações dizem que o Japão continental emerge cerca de 1 cm por ano. Nessa subida do continente em relação ao mar os arqueólogos trabalham nos sambaquis. Outro fator que dificulta a datação dos ossos é a “contaminação” pela radiação depois das bombas atômicas no século XX, que altera a estrutura do carbono 14, tornando-os mais antigos do que realmente são.  Atentos a esses fatores os arqueólogos tomam por certas as datações feitas antes do impacto das bombas no Japão.

 

O homem Jomon, seria correspondente Asiático ao homem do paleolítico isso cerca de 10. 202 a.C. Apesar da sua aproximada antiguidade, convencionou-se retrata-lo através de sua cerâmica.

 

A cultura jomon foi subdivida da seguinte maneira:

 

à So-ki/ Zen-ki/ Chu-ki/ ko-ki/ Ban-ki/

Algo que traduzido ficaria semelhante a:

 

à Proto-Jomon/Jomon-Antigo/Jomon-Médio/Jomon-Recente/Jomon-Final

 

As divisões do Período Jomon e respectivas denominações são aqui consideradas apenas como símbolos de níveis de realizações conseguidas nos diversos processos evolutivos.

     

ANTIQUÍSSIMO

Inaridai-Tado

Kayama

c. 4500 a.C.

ANTIGO

Hanazumi

Sekuiyama-Kurohama Moriso

c. 4500 – 3000 a.C.

MÉDIO

Katsusaka Ubayama

c. 3000 – 2000 a.C.

RECENTE

Horinouchi Kasori

c. 2000 – 1000 a.C.

FINAL

Angyo (ou Kamageoca, em Tohoku)

c. 1000 – 250 a.C.

(no sul do Japão)

(KIDDER, 1970 p.34)                      

 

Alimentação e Estrutura-Social

 

Os Jomons levavam uma vida sedentária e tinham uma organização sócio-estrutural básica constituindo famílias de 3/4 membros organizados em aldeias. A caça de pequenos animais, cervídeos (veados) e javalis foi empregue em larga escala pois esses abundavam nas montanhas. Havia a coleta de frutos como castanhas e nozes. Também o plantio de gramíneas, (milho, trigo sarraceno, sésamo, e feijoeiro). A pesca e a coleta de mariscos constituíram fator importante na alimentação dos Jomons. O arroz tão elementar a culinária japonesa só será implantado com anos mais tarde trazido por outros povos emigrantes.

               

 

 

 

 

Ainos: A origem da confusão!

 

Muito corriqueiramente atribui-se o povo Aino como sendo estes os primeiros habitantes do Japão. Porém é bem provável que tenham (os Ainos) constituído uma vaga migratória bem mais recente +ou- III a.C, vindos do norte pelas ilhas Sakalinas  e fixando-se somente na região de Hokkaido precisamente quando os Yayoi migravam pelo sul (Kyushu) atravessando o estreito da Coréia. Os Ainos encontraram uma população já bem estabelecida no Japão, ou seja, os Jomons.

Muito provavelmente, foram assimilando os padrões da cultura Jomon tanto na agricultura quanto na cerâmica. (KIDDER, 1970)                     

 

Os Ainos continuam a existir ainda nos dias de hoje, marginalizados formando uma espécie de comunidade indígena do Japão.  A confusão persiste no aspecto físico, sobretudo no que diz respeito à relação Jomons/Ainos, e Ainos/Japonês Contemporâneo. Há aqueles que alegam à inexistência de uma cultura anterior aos Ainos (Jomons) atribuindo-lhes todo o período paleolítico e neolítico, e, portanto ser esse ancestral dos japoneses contemporâneos, fato lhes causou grande perseguição e repressão, com políticas de isolacionamento popular, na época mais nacionalista do país. (KIDDER, 1970)                     

 

Sobre a questão da ancestralidade japonesa e formação dos Jomons podemos concluir que concluir que:

 

O povo Jomon não é propriamente Aino, pelo menos não dos Ainos contemporâneos, mas sim segundo, a teoria dos Proto-Ainos, seria uma miscigenação de Jomons com Ainos, ocorrida assim quando estes adentraram o arquipélago perto de 200 a.C.

 

Portanto conclui-se que o povo japonês em sua maioria não é de descendência nem Jomon, nem Aina, e sim de uma vaga de ocupação posterior vinda do sul. Ali se alojando e conquistando o resto do território japonês. Percebemos isso quando inda no século VIII já como Yamato na era Soga, os bárbaros Emishi, habitantes de comunidades no norte do Japão (Tohoku) nada mais eram do que Ainos.          

 

Cultura Yayoi: Período Yayoi (200 a.C. a 300 d.C)

 

Constitui-se como uma vaga migratória muito importante ao Japão, sobretudo em aspectos tecnológicos. Provinda da China re-unificada pela dinastia Han na primeira metade do século III a.C, é nessa vaga migratória por intermédio da cultura denominada  Yayoi, que são introduzidos no Japão o cultivo do arroz, o uso da roda  do bronze.

 

Inicio do Intercâmbio Cultural com a China

 

Os Yayoi iniciam sua cultura no norte Japão, estabelecendo-se na região de Hokkaido, porém em meados do século I a.C, começam a se expandir atravessando o mar interior e difundindo sua cultura por todo Japão. Depois de bem estabelecidos dão inicio a uma intensa importação de produtos da China, são importados tanto artigos de beleza (espelhos pentes, etc.) como grãos (arroz). Esse é o inicio de um comércio frutífero e rentável para China.

 

E os povos que já habitavam o Japão como ficam?

 

Os Jomons reagiram aos Yayoi do mesmo modo, que reagiram aos Ainos, trataram de assimilar as novidades, trazidas, sobretudo o cultivo de arroz, e a cerâmica. Mesmo os Ainos mais reclusos que habitavam o norte aderiram aos implementos estrangeiros. É atribuído a esse período, o fabrico de espadas, e escudos de ferro, porém pouco usado para fins bélicos, atribui-se as espadas e adagas um significado mítico.

 

Vida social

 

No fator social os Yayoi trouxeram ao Japão, uma camada social mais estratificada divida em comerciantes, artesãos, sacerdotes, e camponeses. Isso deu a base para uma nova e definitiva onda migratória em massa.

 

Uma Evolução na Arte da Arquitetura e da Guerra

 

A ultima grande vaga migratória ocorre a partir do século IV, e estende-se até o VI, é constituída de coreanos, muitos atribuem também à participação de chineses. O fato é que após a conquista militar da imperatriz japonesa Jingo anexando a pequena província de Xilá em 346 a.C, situada na Coréia. Ocorre uma extrema  emigração relatada no livro mais antigo do Japão o Kojiki. Em quanto os Yayoi deram ao Japão, bases sociais e econômicas, os coreanos implementaram no país uma verdadeira evolução na arcaica arquitetura japonesa,construindo casas mais confortáveis, e duradouras feitas de madeira. As bases sociais não mudam muito, tirando o fato de que até mesmo membros da realeza coreana foram morar no Japão. No aspecto bélico são os guerreiros vindos da Coréia que fazem uso da espada em guerra, e o emprego dos cavalos nos combates. Não é de se admirar que se atribui ser coreano o primeiro imperador, e unificador do Japão na planície de Yamato, Kamu-Yamato-Iharebiko, mais conhecido por Jimmu.              

 

 

 

 

 

 

Referencias 

 

 

             KIDDER. E. J. O Japão Antes do Budismo. Lisboa/ Cacém. Gris Impressores, S.A.R.L, 1970.